quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Naquele abraço

 E quando a vida seguia a rotina
 Deparo-me com sua volta repentina
 Por onde andou? Por que tanta indiferença?
 Mas quem precisa de respostas mediante sua presença?

 Eu teria milhares de questionamentos, preferi me calar
 Sentia saudade, mas sequer soube esta expressar
 A conversa fluía como se nada tivesse acontecido
 E pensar que dias atrás desejei ter morrido

Uma pausa, um silêncio, seria a hora da explicação?
Não, um forte abraço dá novos ritmos ao coração
Toda tristeza acabara naquele momento
Um turbilhão de emoções alcançou o pensamento

A vida esta sempre pregando surpresas
Sua ausência já era uma certeza
E agora? O que vai acontecer?
Cá estou em meu refúgio, tentando escrever

Sentimentos misturados, difícil pôr no papel
Como se uma calda de caramelo cobrisse o fel
Não sei se há esperança, para quem o fim de sua própria vida decretou
Contudo naquele abraço, um sonho adormecido despertou.



segunda-feira, 22 de julho de 2013

SAUDADE

Talvez a saudade seja o preço que pagamos por nossa ingratidão
Por vivermos atormentados ouvindo as advertências da razão
Perdemos tempo demais tentando ser perfeitos, tentando ser legais
Às vezes deixamos de lado nossos próprios ideais

A vida nos proporciona momentos verdadeiros, que nos tocam, especiais
Um dia a gente acorda e eles simplesmente não existem mais
Como soldados na guerra, somos bombardeados pelas nossas lembranças
Desolados nos rendemos, atrofiamos, sequer temos esperanças.

Saudade, palavra exclusiva da língua portuguesa
Cujos sinônimos deveriam ser melancolia, tristeza
Só isso que sentimos quando somos afastados de quem nos faz bem
Como os bumerangues as pessoas vão e vem

Difícil é vê-las seguirem seus trilhos, sumindo, indo embora
Quando nos marcam criam raízes em nossa memória
O tempo não é capaz de curar esta dor que aperta o peito e abrasa o coração

É um desafio seguir em frente, pois temos como inimiga a implacável comparação.

Da luz a escuridão

Você chegou trazendo a luz onde imperava a escuridão
Reacendeu sorrisos apagados pela solidão
Trouxe-me o sentido, a razão para viver
Acalmou o desespero, que batia a cada anoitecer

E os dias que outrora eram esmagados pela dor
Pouco a pouco foram energizados pelo meu amor
Uma vida inteira aprisionado, idealizando a liberdade
Este tempo juntos foi o mais perto que pude chegar da felicidade

Sem pedir licença, sem dizer sequer uma palavra foi-se embora
A indiferença não era pra ser roteiro nesta história
Nada neutraliza a saudade que bruscamente paralisa a vontade de acordar
 É que apenas em meus sonhos ainda consigo te encontrar

Nossos olhares não se cruzaram para o último adeus
Nossos planos de repente não são mais os seus
Seu celular foi programado para rejeitar minha ligação
Eu só queria noticias sua, não precisava tamanha humilhação

Cá estou mais uma vez, buscando refúgio na poesia
Ouvindo músicas que me trazem nostalgia
Descrente de tudo, já nem sei mais rezar

Mas agradeço-lhe Deus por saber poetizar.

domingo, 31 de março de 2013

Sopro de vida


No silêncio desta cidade vazia, somos eu e a nostalgia
Procuro resíduos de contentamento e de alegria
Certamente caíram na farra, já é carnaval
Eis me aqui de novo, sozinho em mais um feriado nacional

Parece que já virou rotina, ser tomado pela solidão
Tento tapear a verdade e esconder do meu coração
Dilacerado ele insiste em me trazer lembranças
Ingênuo ainda não perdeu a esperança

Não sou mais guiado por ele, hoje sigo a razão
Suas atrapalhadas me trouxeram apenas frustração
Tento aprender com os erros e seguir adiante
O compasso da vida tornou-se uma descida constante

Hoje o país inteiro se agitou e caiu na folia
E cá estou eu seguindo o bloco da poesia
Ouvindo música de ritmos contraditórios a esta festa tradicional
Eu busco, na arte, um sopro de vida, meu equilíbrio emocional

O que seria de mim se não pudesse escrever?
Teria o semblante da miséria, estaria a padecer
Por maiores que sejam as quedas, levanto-me com bravura
Faço das dores poesia, por isso amo a literatura.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A Viagem


E sem nenhuma expectativa botei os pés na estrada
Eu só queria descanso, aliviar minha alma cansada
Eu estava trabalhando tanto, numa correria infernal
Não via a hora de passarem as festas de Natal

Saudade eu sentia daquele lindo lugar
Mas havia uma sensação ainda a me incomodar
Eu tinha família e amigos ao redor
Mas não impediam de me sentir só

Então você chegou, trazendo luz em seu sorriso
Eu quis mostrar reciprocidade, mas já nem era preciso
Num toque de mágica a sensação de incomodo se esvaiu
Dando lugar a adrenalina que o meu coração sentiu

Ali de frente ao mar e toda sua imensidão
Nasciam vestígios de nossa paixão
E o mundo lá fora ficou pequeno demais
Eu só queria sentir e curtir sua paz

O tempo voa, ainda mais quando estamos enamorados
O dever nos chama, mas o desejo é estar a seu lado
Contudo fica a certeza de  ter sido verdade
Cada segundo desta viagem, que me trouxe prosperidade

De volta ao mundo real, mas desta vez é diferente
Tenho-te comigo, não vai ser a distância a separar a gente
Aqui flutuando, chegando ás nuvens, esbarrando na lua
Já conto os dias para matar a saudade sua!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

BALANÇO


Catando lembranças e fechando o balanço do ano que passou
Pondo na balança o que foi bom e o que pesou
Errei, pois te amei mais do que a mim
Em qualquer relação isto é o fim

Permiti que seu egoísmo conduzisse nossa história
Estar a seu lado me bastava, mas você foi embora
Causando pane em tudo que me restou 
Nem reconheço as sobras, pois só vivia este amor

E agora?Como traçar os pontos positivos?
Se em meio a tanta angústia eu só vejo o negativo
Tento buscar o que foi bom e crescer com o aprendizado
Sequer saio do lugar, estou descompassado

Planejar o futuro já não faz mais sentido
Quando o passado deixa o presente perdido
Sonhos ficam distantes, pois não são mais em comum
Eu vou a tantos lugares, mas não me encontro em nenhum

O ano que começou sobre a chuva mansa que caia
Vendo os fogos queimando, enquanto a esperança se acendia
Termina com lágrimas, com dor e com saudade
Dos dias em que pude experimentar a felicidade.

Acabou, foi como adocicar a boca com mel
Mas logo predominou o gosto amargo do fel
Relato o ano que daqui algumas horas vai-se embora
Mas as lembranças continuarão firmes e estacadas em minha memória
Parto para o recomeço sem saber o que vou encontrar
A fé já não é mais companheira, presa fácil para vida impiedosa soterrar