terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sofreguidão

A dor que sinto hoje não é mais por sua ausência
A verdade é que, de tão rotineira, misturou-se à minha essência
Nem sei mais por que lamento, por que ecoo este pranto
A vida anda tão sem graça, não importa se rezo, se escrevo ou se canto

Tudo e tão desconfortável, nada me proporciona bem - estar
Tudo é tão irritante: os sons, as pessoas, nem importa o lugar
Ando tão ocupado, e ao mesmo tempo, tão ocioso
 E há quem diga que ainda sou um vitorioso

Talvez, quantas pessoas passam por males maiores?
Mas isso não torna os meus menores
Temos nossas cruzes, cada um sabe de si
Pelo que devemos chorar ou pelo que devemos sorrir

E não importa quão triste esteja, quantos sonhos a vida enterrou
O tempo jamais voltará e essa lei nunca mudou
Ainda que as lembranças relutem em prol de tal ação
Jamais serão capazes de trazer de volta a mesma emoção


Do beijo roubado, do abraço apertado, do conforto do lar
Da primeira viagem, do almoço em família, do balanço do mar
A vida segue adiante sem tempo para repouso ou reflexão

Num piscar de olhos vãos se os dias, os anos, e se eterniza a sofreguidão.