A dor que
sinto hoje não é mais por sua ausência
A verdade é
que, de tão rotineira, misturou-se à minha essência
Nem sei mais
por que lamento, por que ecoo este pranto
A vida anda
tão sem graça, não importa se rezo, se escrevo ou se canto
Tudo e tão desconfortável,
nada me proporciona bem - estar
Tudo é tão
irritante: os sons, as pessoas, nem importa o lugar
Ando tão
ocupado, e ao mesmo tempo, tão ocioso
E há quem diga que ainda sou um vitorioso
Talvez,
quantas pessoas passam por males maiores?
Mas isso não
torna os meus menores
Temos nossas
cruzes, cada um sabe de si
Pelo que
devemos chorar ou pelo que devemos sorrir
E não
importa quão triste esteja, quantos sonhos a vida enterrou
O tempo
jamais voltará e essa lei nunca mudou
Ainda que as
lembranças relutem em prol de tal ação
Jamais serão
capazes de trazer de volta a mesma emoção
Do beijo
roubado, do abraço apertado, do conforto do lar
Da primeira
viagem, do almoço em família, do balanço do mar
A vida segue
adiante sem tempo para repouso ou reflexão
Num piscar
de olhos vãos se os dias, os anos, e se eterniza a sofreguidão.