No silêncio
desta cidade vazia, somos eu e a nostalgia
Procuro
resíduos de contentamento e de alegria
Certamente
caíram na farra, já é carnaval
Eis me aqui
de novo, sozinho em mais um feriado nacional
Parece que
já virou rotina, ser tomado pela solidão
Tento tapear
a verdade e esconder do meu coração
Dilacerado
ele insiste em me trazer lembranças
Ingênuo
ainda não perdeu a esperança
Não sou mais
guiado por ele, hoje sigo a razão
Suas
atrapalhadas me trouxeram apenas frustração
Tento
aprender com os erros e seguir adiante
O compasso
da vida tornou-se uma descida constante
Hoje o país
inteiro se agitou e caiu na folia
E cá estou
eu seguindo o bloco da poesia
Ouvindo
música de ritmos contraditórios a esta festa tradicional
Eu busco, na
arte, um sopro de vida, meu equilíbrio emocional
O que seria
de mim se não pudesse escrever?
Teria o
semblante da miséria, estaria a padecer
Por maiores
que sejam as quedas, levanto-me com bravura
Faço das
dores poesia, por isso amo a literatura.