domingo, 31 de março de 2013

Sopro de vida


No silêncio desta cidade vazia, somos eu e a nostalgia
Procuro resíduos de contentamento e de alegria
Certamente caíram na farra, já é carnaval
Eis me aqui de novo, sozinho em mais um feriado nacional

Parece que já virou rotina, ser tomado pela solidão
Tento tapear a verdade e esconder do meu coração
Dilacerado ele insiste em me trazer lembranças
Ingênuo ainda não perdeu a esperança

Não sou mais guiado por ele, hoje sigo a razão
Suas atrapalhadas me trouxeram apenas frustração
Tento aprender com os erros e seguir adiante
O compasso da vida tornou-se uma descida constante

Hoje o país inteiro se agitou e caiu na folia
E cá estou eu seguindo o bloco da poesia
Ouvindo música de ritmos contraditórios a esta festa tradicional
Eu busco, na arte, um sopro de vida, meu equilíbrio emocional

O que seria de mim se não pudesse escrever?
Teria o semblante da miséria, estaria a padecer
Por maiores que sejam as quedas, levanto-me com bravura
Faço das dores poesia, por isso amo a literatura.