sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Perda

Quando os sonhos são interrompidos é difícil esboçar qualquer reação
Diante de uma fatalidade, resta-nos apenas a oração.
E por maior que seja o fervor, não é possível estancar a dor.
Para aceitar a vontade de Deus, é preciso revestir de seu amor.

Em tempos que o ódio é visto de maneira tão natural
É complicado distinguir o que vem para o bem e para o mau
Sentimentos nobres se “apequenam “ em meio a ira de uma nação
Muitas das vezes ancorados pela religião

Diante da perda, somos presas fáceis do esmorecimento. 
Velozmente arremessados ao desalento
O choro é inevitável, é terrível não conhecer as razões.
Todos os planos arquitetados dão lugar às desilusões

A vida tem que seguir, mas o luto precisa ser sentido.
É necessário distanciar até mesmo de entes queridos
Sozinhos em meio ao silêncio, lágrimas e pesar.

É preciso nos reconstituir e recomeçar.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Ah! Verão.

Mais um verão vai findando-se e aqui dentro nada mudou
Mesmo com os dias quentes, de tão frio meu coração congelou.
As noites curtas não amenizaram a tristeza, tampouco a saudade.
Segue teu rumo, oh, verão! Mande lembranças à minha liberdade.

Se acaso encontrá-la, peça que retorne, mesmo que de passagem.
Não sou egocêntrico, prometo deixá-la seguir viagem.
Sugira que ela venha colher os frutos do outono
Se eu estiver estático, ainda não é a morte, apenas peguei no sono.

Ah, verão! Tu que deixastes os corpos bronzeados.
Por que então me sinto tão acinzentado?
Sinto-me preso ao ocaso, obtuso, não vejo o sol nascer.
Lacrado à dor, destinado a sofrer.

Na realidade, não importa se faz calor ou frio.
Mudam-se as estações, mas meus dias são sempre sombrios.
Ah, verão! Se esticar a jornada e com o inverno encontrar.

Entrego-te  minhas reminiscências para este congelar.

sexta-feira, 20 de março de 2015

O quanto me custa?

O quanto me custa acordar pela manhã e olhar na vidraça o novo dia?
Só eu sei o quanto me custa pôr um sorriso no rosto e demonstrar alegria.
O quanto me custa executar minhas rotinas e bravamente ver o sol se pôr?
O quanto me custa olhar meu passado e almejar um futuro sem dor?

O quanto me custa visitar meus amigos, ler os meus livros ou mesmo rezar,
O quanto me custa ter esperanças de que esta fadiga, um dia há de se findar?
O quanto me custa ver fotos antigas, recordar as viagens e os sonhos perdidos?
O quanto me custa ter na memória, catástrofes de uma história que jurei ter esquecido?

O quanto me custa escrever estes versos sem que lágrimas denunciem meu pranto?
O quanto me custa que o silêncio de minha alma não abafe meu canto?
O quanto me custa recolher-me em meus aposentos, sem escancarar a solidão?
O quanto me custa, ter diplomacia, pra viver em comunhão?

O quanto me custa transformar em poesia todas as angústias, todo sofrer?
O quanto me custa preterir a vícios profanos, concentrar-me em escrever?
O quanto me custa olhar o mundo com olhos de fé e perseverar?

O quanto me custa seguir leis, princípios e bem me aventurar?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Alerta Vermelho

Alerta vermelho! A natureza começa a cobrar indenização
Pelos maus tratos, pela ganância ou pela simples falta de educação.
E os encargos são estarrecedores, incalculáveis pela “vã” economia.
Pode custar uma humanidade inteira, se esta não deixar de lado a picardia.

É hora de caçar os culpados: política, agronegócio ou religião?
Quem são os responsáveis pela estiagem que atormenta a nação?
A seca, antes utopia, alastrou-se de maneira, que agora virou real.
 O tema virou manchete em todas as mídias, em qualquer rede social.

O conforto dos lares está ameaçado, um simples banho pode ficar no passado.
Lavar louça, rotina chata e cansativa, terá dias alternados, com tempo determinado.
Os Jardins serão desativados, as manhãs não terão mais o perfume das flores.
A astúcia e a arrogância darão lugar a orações e aos clamores.

Oh chuva! Quando virás?  Ainda em tempo de nos salvar?
A população inconsciente e profana aguarda-te sem cessar.
Tu, que viestes outrora e causastes inundação,
Hoje escassa, ameaça-nos a faltar o pão.

Não há mais tempo para reflexão, é hora de ação.
É preciso economizar água, é o dever do cidadão.
Quando havia em abundância, o desperdício era habitual.

Resultado: população cativa de uma catástrofe natural