Mais um verão vai findando-se e aqui dentro nada
mudou
Mesmo com os dias quentes, de tão frio meu coração
congelou.
As noites curtas não amenizaram a tristeza, tampouco
a saudade.
Segue teu rumo, oh, verão! Mande lembranças à minha
liberdade.
Se acaso encontrá-la, peça que retorne, mesmo que de
passagem.
Não sou egocêntrico, prometo deixá-la seguir viagem.
Sugira que ela venha colher os frutos do outono
Se eu estiver estático, ainda não é a morte, apenas
peguei no sono.
Ah, verão! Tu que deixastes os corpos bronzeados.
Por que então me sinto tão acinzentado?
Sinto-me preso ao ocaso, obtuso, não vejo o sol
nascer.
Lacrado à dor, destinado a sofrer.
Na realidade, não importa se faz calor ou frio.
Mudam-se as estações, mas meus dias são sempre
sombrios.
Ah, verão! Se esticar a jornada e com o inverno
encontrar.
Entrego-te minhas
reminiscências para este congelar.